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Desde o dia em que tentamos aprender a viver em sociedade (digo ‘tentamos’, porque muitas vezes tenho dúvidas particulares se o conseguimos), necessitamos de modular o nosso comportamento perante outrem – ou como prefere a maioria, o “próximo”; claro que o próximo não necessariamente está junto, porque muitas marquises e viadutos com entes moradores são atravessadas antes de chegar-se a casa de quem facilmente chamamos de “próximo” – através uma convivência pacífica e harmoniosa, respeitadora das diversidades de valores.

Aos princípios, valores e normas (escritas ou imateriais) que emolduram esse comportamento frente a outras pessoas e definem um padrão de conduta, chamamos de Ética.

OK! Este texto é sobre valorização profissional, né? Qual o porquê de se discutir a ética, aqui?

A resposta é muito simples e quero construí-la no decorrer do texto, mas de um modo geral, para mim, está patente que a valorização profissional deve começar a partir do comportamento de cada cirurgião-dentista consigo mesmo e perante a sociedade.

 

Imagem: Dicasodonto

A Ética entra neste contexto porque ela define comportamentos e condutas que convencionamos considerar boas, não só no sentido de agradável ao paciente, mas também na competência e motivação de se fazer o certo, na medida das forças de cada um: Na medida do famoso bom-senso.

Visto que seguir “regras” definidas do que é “obrigatório” é um pouco difícil, é necessário que haja afetividade e racionalidade do profissional frente aos seus objetivos, ou seja, ele tem que desejar fazer bem e encontrar motivos concretos que o levem a isso. Fazendo o bem e fazendo bem, fica muito fácil sobressair-se e agregar valor ao seu trabalho (valorar), em que toda classe ganha, mostrando porque o dentista é bom no que faz: Sua capacidade adaptativa, sua criatividade, domínio e conhecimento de sua ciência.

Então… qual deve ser o meu comportamento frente a este processo de valoração? Se fores como eu, deixaria de ler qualquer coisa a partir do momento que alguém se arrisque a definir como devo me comportar… Então não cairei na besteira de bancar o Guru de auto-ajuda. Sabemos o que é moralmente correto e o que é profissionalmente relevante. Mas seguindo a lógica do raciocínio me atrevo a estes questionamentos:

Gostas do teu trabalho? Então farás de maneira alegre e criativa;

Tens estudado? Se não houve oportunidade, o momento é este: Redesenhe suas prioridades no sentido de incluir a reciclagem e educação continuada como investimentos;

O seu local de trabalho é qualificado a você e teus pacientes? Torne seu ambiente de trabalho prazeroso e colorido,

Atende planos odontológicos? Tenha em mente que o plano de saúde odontológica existe para seus clientes que não podem pagar um tratamento e não para te tornar escravo deles. Negocie como associado, não como empregado.

Não caia na tentação dos cupons de desconto de sites de compras coletivas: Você presta um serviço e é pago por honorários, não está vendendo produtos de beleza. Se isto dá mais dinheiro, e é o que desejas, considere ser um empresário do ramo.

A bandeira da ética é muito chamativa e pesada. Ela obrigará a seres vigilantes em todo momento pelo que é certo e justo. Mas no fim, a recompensa virá do reconhecimento de seu trabalho.

 

Ética trata de princípios e não de mandamentos. Supõe que o homem deva ser justo. Porém, como ser justo?”

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O que os outros blogueiros de odontologia estão escrevendo sobre o assunto:

  1. Campanha pela valorização profissional na odontologia – Dicas Odonto
  2. Ética na Odontologia – Será que um dia ??? – Vida de Dentista
  3. Valorização da Odontologia – Pérolas da Odontologia
  4. Ética em Odontologia – Odontodivas
  5. Dentista: Sorria, você está sendo observado! – Medo de Dentista
  6. “Se dar valor = Valorização” – ODONTOSTALGIA

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Leitura interessante: Ética

a Ética



Ana TÓRUS é personagem caricata de Ana Tokus, criadora do blog Medo de Dentista, autora no blog Odontodivas e Odontopédia

Paula Hollembeck é personagem caricata de Paula Rollemberg, autora dos blogs Saudálito e Paula Rollemberg Cupcake Design

Grande amigas reais e virtuais =P

 

Ah sim, Fabrício Mendes também!

Mar 072012

Com o crescimento do mercado dos planos de saúde odontológicos no Brasil, aumenta também a voracidade por lucros e dividendos, onde empresas agem de forma vil no desejo de maximizar estes ganhos, cobrando cada vez mais de seus clientes e pagando cada vez menos aos dentistas que prestam os serviços.
A exemplo disso, a Odontoprev S.A. com sede em Barueri, São Paulo, após um curto período de aquisições de pequenas concorrentes, une-se ao Bradesco Dental, denomina-se Rede UNNA e passa a concentrar 42% do mercado de planos odontológicos. Numa jogada suja, a nova empresa nivelou por baixo os valores faturados pelos procedimentos ao que as empresas menores praticavam, deixando aturdidos muitos profissionais que já atendiam com margens de lucros cada vez menores. A grande maioria dos que acataram a redução o fizeram como reféns hipossuficientes, em receio de perder sua clientela.

De mercado forte, mas ingênuo, a odontologia brasileira está vendo o cerne do capitalismo, em sua forma mais pura, atropelar princípios éticos, desrespeitando e humilhando sob “genuíno” pretexto de ganhar dinheiro.
Mas, caro leitor, veja que no fim, tudo gira em torno do profissional dentista. É este que realmente atua no final da cadeia, trazendo saúde ao paciente e não vai existir — ao menos não legalmente — outro que faça isso. Os investidores e acionistas não arregaçarão as mangas nem para um preparo classe I de Black.
A (dês)união da classe tem que deixar de ser nosso discurso de problematização, porque a internet tem aproximado as pessoas e também num segundo momento, os profissionais. Já concordamos com o fato de que o dentista está sendo injustiçado pelos convênios, e que precisamos agora é trabalhar em nossa articulação intrasetorial.
Pro outro lado é legítima a preocupação de quem vive em função do convênio como o grande carreador de clientes à sua clínica ou consultório, em que já sofreu na pele a diminuição de receita, (sem a diminuição dos custos), de correr risco de perder sua carteira. É interessante pra estes casos, desenvolverem uma estratégia de mudança gradual no perfil de seus clientes.
Eu digo que, possivelmente para o cliente, a grande vantagem dos planos não é ter a sua disposição uma “lista” de profissionais altamente especializados disponibilizados por eles, e sim o financiamento em longo prazo dos procedimentos. Esse financiamento pode facilmente ser obtidos  junto aos próprios profissionais, principalmente através de produtos e serviços bancários.

Se você é cliente e usuário de convênio, faço-lhe uma série de  perguntas que busquem uma reflexão do que tudo isso implica:

1. O que seu dentista fará para ajustar seus custos a uma menor receita? Ou melhor, como ele poderá compensar o menor ganho com os procedimentos?
2. É realmente necessário fazer tantas radiografias para meu tratamento reabilitador? É ético realizar auditorias através de imagens radiográficas?
3. Você teve reajuste em sua mensalidade do convênio, é justo ser atendido com materiais mais baratos e tempos mais apertados, pagando mais que antes?

Veja o que os blogueiros de odontologia estão escrevendo sobre isso:

Dentista, você sustenta empresário? (Dicas Odonto)

Dentista: um escravo do lucro. (OdontoDivas)

Rede Unna – O cartel dos planos odontológicos (Vida de Dentista)

Sobre por que não podemos fazer uma radiografia por R$ 2,47 ou por que os dentistas são idiotas! (OrtoBlog)

Paralisação em protesto à Rede Unna (OdontoDivas)

A Rede Unna e a Odontologia Mais Barata Que Pipoca (Medo de Dentista)

Rede Unna (Pérolas da Odontologia)

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